Cuidado! — Há fósforo e pólvora sob esta epiderme errante,
Um conteúdo ígneo — inflamável! — recluso em carne viva,
Reatividade insana, súbita, latente, corrosiva,
Que se alastra feito febre, em cadeia fulminante!
Sou a maré que recua — a preamar disfarçada —
O recuo d'água que o tolo crê ser calma rasa,
Mas que retorna em fúria, dilúvio de alma arrasada,
E o náufrago só vê quando já sente a asa
Do desespero afogar-lhe a fé desesperada!
Contraindicado - em suspeita de terceiros.
Não há bula — e se houvesse, você nem lia
— Pois é na ausência do aviso
que os prazeres Cospem seus espinhos
no teu próprio horizonte.
Produzo sintomas... colaterais e cancerígenos!
Mexo em nervos e em seios com química voraz,
Alegra-te se és puro — mas se fores tenaz
— Saberás que meus beijos são ácidos enigmáticos,
E meu toque transborda de impulsos !
Há em mim uma radioatividade cardíaca,
um decaimento afetivo em meia-vida pulsante,
capaz de desorganizar átomos sentimentais,
implodir moléculas de afeto mal estabilizadas
e fazer do teu miocárdio um reator desgovernado.
Não me jogues teus dados com a mão disfarçada,
Pois meu olho — oculto! — percebe até a ingenuidade,
E aquilo que finges por doce inocuidade
É dissecado em mim por visão ensanguentada.
E o que pensas não ser óbvio — à minha ciência encarnada —
Já me foi óbvio antes mesmo de tua mente acovardada.
Sou o remédio e a peste, sou cura e sentença.
Levo à lua, sim — com promessas saturninas —
Mas se desconheces minhas letras pequeninas,
És só mais um caso clínico de imprudência e demência.
Moderação? — Posso dosar, se pedires com verdade.
Mas cuidado, pois doso até a eternidade.
Jogar jogos ? - tola criatura
Não me culpes se Deus chora e o Diabo gargalha:
Há em mim uma ciência que tua alma não falha
— Sou a chama, o estopim e a própria mistura.
Advertência final: leu ao menos as Contraindicações ?
Sou alquimia viva...
E se não leu,
Lamento... Não posso fazer nada.
Por: Jabes Cajazeira