sexta-feira, 13 de junho de 2025

Advertência de Um Corpo Instável

Cuidado! — Há fósforo e pólvora sob esta epiderme errante, 

Um conteúdo ígneo — inflamável! — recluso em carne viva, 

Reatividade insana, súbita, latente, corrosiva, 

Que se alastra feito febre, em cadeia fulminante! 


 Sou a maré que recua — a preamar disfarçada —

 O recuo d'água que o tolo crê ser calma rasa,

Mas que retorna em fúria, dilúvio de alma arrasada, 

E o náufrago só vê quando já sente a asa

Do desespero afogar-lhe a fé desesperada! 


Contraindicado - em suspeita de terceiros.

Não há bula — e se houvesse, você nem lia 

— Pois é na ausência do aviso 

que os prazeres Cospem seus espinhos 

no teu próprio horizonte.


 Produzo sintomas... colaterais e cancerígenos! 

Mexo em nervos e em seios com química voraz, 

Alegra-te se és puro — mas se fores tenaz 

— Saberás que meus beijos são ácidos enigmáticos, 

E meu toque transborda de impulsos ! 


 Há em mim uma radioatividade cardíaca, 

um decaimento afetivo em meia-vida pulsante, 

capaz de desorganizar átomos sentimentais,

implodir moléculas de afeto mal estabilizadas 

e fazer do teu miocárdio um reator desgovernado. 


Não me jogues teus dados com a mão disfarçada,

Pois meu olho — oculto! — percebe até a ingenuidade,

E aquilo que finges por doce inocuidade

É dissecado em mim por visão ensanguentada.

E o que pensas não ser óbvio — à minha ciência encarnada —

Já me foi óbvio antes mesmo de tua mente acovardada.


Sou o remédio e a peste, sou cura e sentença. 

Levo à lua, sim — com promessas saturninas — 

Mas se desconheces minhas letras pequeninas, 

És só mais um caso clínico de imprudência e demência. 


 Moderação? — Posso dosar, se pedires com verdade. 

Mas cuidado, pois doso até a eternidade. 


 Jogar jogos ? - tola criatura 

Não me culpes se Deus chora e o Diabo gargalha: 

Há em mim uma ciência que tua alma não falha 

— Sou a chama, o estopim e a própria mistura. 


 Advertência final: leu  ao menos as Contraindicações ? 

Sou alquimia viva... 

E se não leu,

Lamento... Não posso fazer nada.


    Por: Jabes Cajazeira

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Consciência, sem ciência do Drama, Nego Drama

Na dança de letras e pensamentos,

Consciência vagueia sem ciência,

Num mundo onde a sociedade mente,

Finge pensar, sem cor, e dizem Consciência .


No xadrez de palavras, sem força empregada,

Os sermões se desdobram como peças movidas,

Um livro, um argumento, a arma sagrada,

Mata mais profundo do que balas perdidas.


Observa, véi, ao redor o teu silêncio,

QVVJFA, um enigma nas letras dançando,

Brinco de sentido, sem violência ou remorso,

Palavras, o jogo que o tempo vai marcando.


No eco das letras, no vômito da verdade,

Um poeta se perde na teia da insanidade,

Augusto dos Anjos sorriria nessa cidade,

Onde as letras são a última resistência à banalidade.


Vômito esse protesto nas entrelinhas,

Palavras cravadas, como espinhos em flor,

No jardim da mente, uma revolta se aninha,

Contra a apatia, um grito, um clamor.


Sente o drama... quem era Nego Drama?

Um pirata sem garrafa de Rum,

Nas águas do poema, sua trama se embaraça,

Um verso navegando, sem porto, sem prumo.

No curso desse rumo...

Eis que te pergunto ...

QVVJFA?


Por: Jabes Cajazeira

domingo, 8 de outubro de 2023

Abraço de Mãe


Tenho pensado comigo, coração sofrido,

Posso cuidar de ti, mesmo à distância sentindo,

Imagino as feridas que te deixaram partido,

A vulnerabilidade, o quanto estás sofrendo.


És sensível, meu bem, proteges teu ser,

Minha responsabilidade, mãe, é te acolher,

Cicatrizar devagar, suavemente te fazer reviver,

Não quero que endureças, só quero te fortalecer.


Desumano seria calejar ainda mais esse musculo que tanto sente,

Mereces mais amor, e isso é o que sempre quis,

Fecha teus olhos, querida, no meu colo, se desfaz,

Descansa em meu abraço, não te esqueças de ser feliz.


Chora se preciso meu dengo, que o choro limpa alma 

Você não vai me perder, estou em ti, em tua calma,

Minha presença constante, uma luz na escuridão,

Neste abraço de mãe, há aconchego, proteção.

Há um beijo carinhoso em uma alma aflita


Através da tempestade, minha presença te toca em versos

Versos deces que te excitam e te acalmam

Nunca deixarei que a dor te torne um inimigo,

E no refúgio deste abraço, com todo o meu amor,

Vais encontrar a cura, a paz, um novo ardor.



                                                Por: Jabes Cajazeira

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Hipnose Poética


Uma poesia é feitiço profundo,

Precisão atômica em seu alcance,

Revolve as entranhas com seu estrondo.


Codifica ideias, língua exótica, avance,

Poucos decifram, é seu segredo fundo,

Uma arte vital, transcendental, a chance.


Sem rimas, sem formas, é seu mundo,

Poder anestésico, dor, o seu baluarte,

Relaxante verso, de versos fecundo.


Uma poesia cativa, sem toque, ARDE,

È colocar pimenta no prato 

Feitiço do caos, a mente desvenda,

Pensar, escrever, o tempo, que parte.


Relógio vago, sem hora, se estende,

Viajamos sem sair do nosso lugar,

Na poesia, o tempo nunca se ofende


                                                              Por: Jabes Cajazeira 

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Solitude em Esperança

Nas vielas obscuras da existência,

Caminha meu parceiro, sem pretensão,

Invisível aos olhos da multidão,

Sua força oculta, sua resistência.


Na vida, poucos percebem sua essência,

Mas a verdade, em sua solitude,

É que ele molda sua própria mão,

Com coragem e firmeza, sem deferência.


No sol esconde no coração uma alma ardente,

Pelos recantos escuros ele trilha,

Caminhando em silêncio, mas jamais se curva,

Na chuva, esconde lágrimas que brilham.


Atrás dos óculos, olhos que cintilam,

No sonho, a esperança que o faz perdurar,

Mesmo na dor, sua alma endossa,

A jornada no escuro, sem falsa esperança.


Nas estrelas distantes, sua luz sincera,

Enfrenta a tempestade, persistente e valente.


                                                Por: Jabes Cajazeira

domingo, 30 de abril de 2023

Uma Carta Aberta ao eu do passado


Meu parceiro, tu é incrível véi ... talvez ninguém note isso e também nem é necessário,  da vida a gente só tira o seguinte: teu nome pode ta lá no inferno mas teu corpo e tua mente podem estar onde você quiser chegar...

Deixe-me dizer-lhe, correndo o risco de parecer insensível da minha parte. Uma coisa que sempre digo é que pessoas pessoas machucadas pela vida são as mais fortes e consequentemente são as que mais viveram e tem chance de viver sempre um pouco mais...por preferir caminhar na chuva pra esconder suas lágrimas, do que, andar no sol sentindo rasgar a pele um coração ardente.

O homem atrás da barba e do bigode também é sério simples equilibrado e forte. Quase não conversa... O Homem atrás do óculos barba e bigode... Bem... eu não devia te dizer mas essa audácia de encarar a vida ...botam a gente comovidos com o impossível, não se sabe, e nunca saberemos, se melhor vivermos na insensibilidade do que nos cerca, realisticamente, ou no conforto do que sonhamos, romântica e ilimitadamente. Não há nada, absolutamente nada senhores e senhoras, que sonhar nos impeça.

                                Por: Jabes Cajazeira


sexta-feira, 19 de junho de 2020

Trauma da Alma

Oh! Mal da minha essência 
Trago comigo reminiscências
Dos presentes passados
Os conflitos internos de tantas carências .

Andava mais de mil léguas
Para flores encontrar 
E seu cabelo enfeitar 
Hoje só resta história para contar.

A razão quem me faz viver 
Trocou - me por um homem
Cujo o nome não vou lhe dizer 
Só me restou a vontade de morrer.

O amargo do alma 
Está nesse trauma 
Que dos prantos as lágrimas 
O peito se rasga.

Restam - me as dores
Daqueles primores
Hoje penso horrores 
Daquela ilusão de amores.

A rosa entre os espinhos 
A lua e eu  sol
A isca e eu o anzol 
Hoje, me sinto tão só.

     
           Poema referente á segunda fase do romantismo brasileiro na autoria de Jabes Cajazeira.